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2015 SOB O CÉU DE BRASILIA 2nd Edition

GRAPHIC  


Na década de 1980, os prédios rareavam, a experiência de solidão espacial era intensa e a magnitude celeste hipnotizava ainda mais. Foi nessa época que o artista plástico Wagner Hermusche iniciou as experimentações que resultaram em uma das mais importantes representações visuais de Brasília. É como se ele injetasse rock´n roll nos céus. As imagens que produz parecem um solo de guitarra de Frank Zappa, desencadeando descargas elétricas, que provocam um curto circuito lírico na paisagem da cidade. Hermusche escolheu quatro gravuras de umasérie original de 10, intitulada Sob o céu de Brasília, para relançar em um álbum, impresso com todo esmero e qualidade das técnicas modernas de reprodução.

Neste meio tempo, de 1984 até agora, ele usou outros suportes e linguagens, como o desenho, a pintura,o vídeo e os projetos de instalação. No ano passado, montou uma grande exposição sobre meio ambiente na Alemanha. Decorridos 34 anos, ele se deparou com uma surpreendente contemporaneidade dos trabalhos, mas, por uma questão de viabilidade, decidiu reeditar apenas quatro mais conectados com o momento em que vivemos, bombardeado de sinais luminosos. Embora possa aparentar fotografia, a gravura intitulada Futuro é um exercício exclusivo de pintura sobre fotolitos. Hermusche pintou cenas diurna do planalto e com a ajuda da filha delineou os perfis de quatro crianças, que evocam a clássica representação das raças humanas: a branca, a preta, a amarela e a vermelha. É uma visão bastante idealista, marcada pelos valores da contracultura que influenciou muito o comportamento dos jovens na época. Nada tem de religioso,mas expressa a dimensão utópica de Brasília como materialização de um Brasil do futuro?. A gravura Meu universo retrata o entardecer no inverno, com citação as paralelas e coordenadas planetárias. Hermusche jogou tinta no fotolito e o fundo do céu ficou todo respingado. À direita, pegou a quina de um edifício, uma janela e uma antena antiga de tevê. O avião é o sinal da vida contemporânea. Em seguida, inseriu algo importante para ele: signos da cultura nativa. Hermusche incluiu a gravura Antenas e Ondas porque ela é um marco. Pela primeira vez, ele representou as ondas, que tiveram tantos desdobramentos em sua produção. Emanam do espaço sideral, independentemente da tecnologia: Eu tive a percepção de que as ondas eletromagnéticas

poderiam se tornar visíveis!. No trabalho Noturno, Hermusche desenhou a cidade toda em branco e preto, com as luzes intensas irradiadas pelos postes, e as ondas eletromagnéticas atravessando o espaço. É uma gravura que também encontra uma conexão com o cenário da cidade em 2015: Agora as ondas eletromagnéticas das telecomunicações atravessam os corpos com mensagens de consumo das grandes corporações.  Os jovens tem grande identidade com as gravuras, é como se encontrassem rock´n roll em imagens. Certo dia, Hermusche curioso e perguntou a um deles o que o atraíanas imagens a ponto de adquirí-las. O rapaz respondeu, enfaticamente, em tom de rock´n roll, como se fosse uma questão óbvia ou idiota: Esta é a minha cidade, nasci e cresci aqui!.